Hidrometria amazônica: uma retrospectiva do curso de treinamento para técnicos dos países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica

De 7 a 13 de outubro de 2024, em Novo Airão, no estado brasileiro do Amazonas, cerca de vinte técnicos especializados em recursos hídricos dos países amazônicos (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru, Suriname e Venezuela) membros da Organização dos Países do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) participaram de um curso de formação em hidrometria amazônica, organizado pelo Serviço Nacional de Observação HYBAM (IRD, INSU, Univ. Toulouse), com o apoio da Universidade Federal do Amazonas, do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e da Agência Nacional de Águas (ANA), da Embaixada da França no Brasil e cofinanciado pelo projeto Fonds Équipe France Actions en Amazonie autour du changement climatique et des ses impacts (FEFACCION) e da OTCA. Esse curso de treinamento teórico e experimental sobre boas práticas de medição e análise de níveis e vazões de rios e análise de dados de satélite teve duração de 6 dias. O objetivo do treinamento foi melhorar e harmonizar as práticas de medição e análise de dados produzidos na bacia amazônica, a fim de facilitar o agrupamento e obter uma visão global para o monitoramento e a gestão dos recursos hídricos.

Naziano Filizola (UFAM) e William Santini (IRD), formadores do curso, apresentando o ADCP para medições hidrométricas

Nos últimos dois anos, a Amazônia tem passado por uma terrível seca, com os níveis dos rios no nível mais baixo já registrado. Nesse cenário, o monitoramento do ciclo da água é de importância crucial para as populações locais, que são muito afetadas, uma vez que os rios são seu principal meio de comunicação, usados principalmente para o comércio. O conhecimento do estado dos rios também é vital para entender o impacto dessas secas extremas no ecossistema a curto e médio prazo. De fato, estudar a hidrologia dos rios amazônicos é a maneira mais segura de contabilizar as chuvas na região e documentar as anomalias de chuvas para medir o impacto das mudanças climáticas.


Há 20 anos, o Serviço Nacional de Observação HYBAM realiza uma missão de pesquisa para documentar o ciclo da água na Amazônia e o fluxo de materiais na bacia (erosão, carbono, nutrientes etc.) a longo prazo.  Para garantir que essa missão seja sustentável, o HYBAM está apoiando os países amazônicos para que eles possam adotar as técnicas e os protocolos de medição a fim de fortalecer suas redes nacionais de medição na Amazônia.

Técnica do Suriname, seguindo a formação em Novo Airão, AM

Essa cooperação científica e técnica baseia-se na inovação técnica para superar as limitações das medições convencionais. Essa inovação se reflete na introdução de novos equipamentos de medição, na produção e transferência de software livre para o processamento dos dados adquiridos e na introdução de dados espaciais nas rotinas de trabalho das equipes de serviços operacionais. No entanto, a manutenção de infraestruturas dedicadas ao monitoramento dos rios amazônicos, à utilização de protocolos comuns e à troca de informações entre os países da região é um esforço de longo prazo que requer investimentos em equipamentos e recursos humanos em cada país.

Graças ao financiamento do projeto FEFACCION, com cofinanciamento da OTCA, os parceiros do Serviço Nacional de Observação HYBAM, em particular o IRD e a UFAM, puderam organizar um treinamento de uma semana sobre hidrologia amazônica em Novo Airão, AM, para cerca de vinte técnicos (hidrólogos, climatologistas, etc.) dos países membros da OTCA. O treinamento incluiu vários módulos apresentando diferentes tecnologias de medição hidrométrica, processamento de dados e uma introdução a novas ferramentas de observação. O curso também foi uma oportunidade para os participantes conhecerem especialistas de outros países amazônicos e discutirem as realidades e necessidades de seus próprios países.

Foi a primeira vez que no âmbito da OTCA foi organizado uma formação técnica destinada aos especialistas de uma mesma temática. A expectativa é que esse tipo de formações sejam organizadas novamente para criar redes de especialistas dos países amazônicos e assim fortalecer a cooperação entre os países membros da OTCA.

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